
O OpenStreetMap não surgiu de um programa de pesquisa europeu. Não foi criado como um instrumento de política pública, nem foi projetado de cima para baixo para apoiar prioridades institucionais. No entanto, muitas das ideias por trás do OpenStreetMap são hoje fundamentais para as estratégias europeias sobre dados, transformação digital, inovação e soberania tecnológica.
Abertura, reutilização, colaboração, infraestrutura digital confiável, bens comuns digitais e autonomia tecnológica são todos elementos importantes da política atual da UE. São também princípios que moldam o OpenStreetMap há mais de vinte anos.
A Fundação OpenStreetMap está interessada em oportunidades de colaboração em projetos financiados pela UE.
O OpenStreetMap pode dar uma contribuição prática em áreas como bens comuns digitais e soberania digital.
Este post é voltado principalmente para quem está desenvolvendo, ou pensando em desenvolver, propostas de projetos da UE envolvendo a Fundação OpenStreetMap.
A OSMF é uma pequena fundação que apoia uma comunidade global bem grande. Seu papel principal é ajudar a garantir a sustentabilidade do projeto OpenStreetMap ao longo do tempo. A OSMF não cria dados em nome da comunidade. O OpenStreetMap é mantido e aprimorado todos os dias por milhares de pessoas ao redor do mundo.
Para envolver a OSMF como um parceiro valioso em um projeto europeu, é importante pensar em como a Fundação pode contribuir com sua experiência em governança de bens comuns digitais, infraestrutura aberta, modelos baseados na comunidade e sustentabilidade a longo prazo. Ela também pode ajudar os projetos a planejar atividades que fortaleçam o ecossistema do OpenStreetMap, em vez de tratar o OpenStreetMap simplesmente como um conjunto de dados a ser usado.
O licenciamento é outro aspecto importante a se considerar desde o início.
Os dados do OpenStreetMap são publicados sob a licença ODbL, o que reflete o compromisso do projeto com a abertura e os princípios de compartilhamento. Os dados abertos da UE, no entanto, costumam ser publicados sob licenças como a CC BY.
Isso não impede necessariamente a colaboração, mas a compatibilidade das licenças deve ser considerada durante a concepção do projeto, e não depois que o trabalho já tiver começado.
Essa é uma questão importante para interagir com o ecossistema do OpenStreetMap.
Um convite prático às equipes de projeto
A OSMF incentiva as organizações que estão elaborando propostas de projetos da UE a entrarem em contato com a Fundação logo no início, de preferência antes de finalizar a proposta.
Uma primeira abordagem deve incluir:
— uma breve descrição do projeto, por que o OpenStreetMap é relevante e qual o papel proposto para a OSMF;
— uma explicação de como o projeto contribuiria de volta para o ecossistema do OpenStreetMap, por exemplo, fortalecendo a infraestrutura, apoiando a governança ou contribuindo para a sustentabilidade a longo prazo; e
— um modelo de colaboração realista que reflita o tamanho e a capacidade de uma pequena organização sem fins lucrativos, incluindo formas mais simples de financiamento, como contribuições em montante fixo, quando for o caso.
A OSMF está aberta a colaborações com projetos europeus que entendam que o OpenStreetMap não é só um mapa ou uma fonte de dados, mas uma comunidade, uma infraestrutura compartilhada e um bem comum digital vivo.
O convite é simples: entra em contato conosco, define como será a colaboração e trabalha conosco de um jeito que ajude o OpenStreetMap e sua comunidade a se manterem fortes ao longo do tempo.
Tradução do inglês para o português do Brasil por Raquel Dezidério Souto (IVIDES DATA).






